Policial

Áudio gravado por PM antes de ser baleada é peça-chave em caso que vai a júri em Maringá

Daniela falava em separação quando discussão terminou com um tiro; mais de três anos depois, marido será julgado pelo Tribunal do Júri.

Após mais de três anos de investigação e uma longa disputa judicial, a Justiça decidiu que Kenny Aisley Rogério Vasconcelos Martins será submetido a júri popular pela morte da esposa, a policial militar Daniela Carolina Marinelo Martins. A data do júri popular ainda deverá ser definida pela Justiça.

Daniela foi baleada dentro da própria residência, na Vila Morangueira, em Maringá, no dia 1º de setembro de 2023. A policial e Kenny mantinham um relacionamento havia aproximadamente um ano e tinham oficializado o casamento pouco mais de um mês antes da morte.

Segundo a acusação apresentada no processo, a relação seria marcada por discussões e por um comportamento controlador atribuído ao marido. Entre os principais elementos analisados pela Justiça está uma gravação feita pela própria policial pouco antes de ser atingida pelo disparo.

Sem que Kenny soubesse, Daniela teria deixado o celular gravando uma discussão do casal. No áudio, conforme descrito na decisão judicial, a policial fala sobre a intenção de se separar, acusa o marido de manipulação e manifesta o desejo de deixar o quarto onde os dois estavam.

Ainda segundo a decisão, Kenny teria impedido a esposa de sair. Segundos antes do disparo, a gravação registra o acusado dizendo que Daniela somente deixaria o quarto depois que ele terminasse de falar.

Na sequência, é possível ouvir o barulho do tiro e, posteriormente, os gritos de Kenny afirmando que a esposa teria atirado contra a própria cabeça. A hipótese de suicídio, porém, foi contestada durante a investigação.

De acordo com o Ministério Público, Kenny teria tentado alterar a cena para fazer a morte parecer provocada pela própria policial. A acusação sustenta ainda que, depois do disparo, ele teria pedido à própria filha que escondesse a arma. A menina teria levado a pistola até o banheiro.

Outro elemento mencionado na decisão judicial é um exame que apontou a presença de partículas relacionadas ao disparo na mão esquerda de Kenny. A investigação também levou em consideração a posição em que o corpo foi encontrado, a trajetória do projétil e as demais condições verificadas na casa.

As perícias reunidas no processo indicaram, conforme consta na decisão, elementos incompatíveis com a hipótese de um disparo suicida e que sustentariam a tese de uma ação criminosa. Diante da materialidade do crime e dos indícios de autoria apontados no processo, a Justiça determinou o júri.

Para Luciana Marinelo, irmã de Daniela, o longo período de espera aumentou a angústia da família. Ela espera que o julgamento finalmente traga uma definição para um caso que se arrasta há mais de três anos.

Já o advogado criminalista José Carlos Ragiotto, responsável pela defesa de Kenny, sustenta a inocência do cliente e demonstrou confiança no julgamento. “A decisão é absolutamente natural. Eu tenho uma boa expectativa porque estou convencido, de forma diferente do Ministério Público”, afirmou Ragiotto.


Publicado em:
Atualizado em: