O estudante de medicina Victor Hugo Lemos Miguel, de 23 anos, deixou o setor de carceragem da Polícia Penal de Maringá no final da tarde de segunda-feira, 24, após pagar fiança de R$ 15 mil. A liberdade provisória foi concedida pela Justiça mediante o cumprimento de medidas cautelares.
Victor Hugo foi preso após se envolver em um gravíssimo acidente na Rua Mem de Sá, na Zona 2, em Maringá. Ele dirigia um Honda City quando atingiu violentamente a traseira da motocicleta conduzida pelo motoboy Rodolfo Rodrigo Notário, de 38 anos.
Conforme informações apuradas, Rodolfo se preparava para chegar à recepção de um prédio, onde faria a entrega de uma encomenda, quando sua motocicleta foi atingida pelo automóvel. Com a força do impacto, a moto ficou presa ao para-choque dianteiro do Honda City.
Após a colisão, o motorista deixou o local sem prestar socorro à vítima. Victor Hugo somente retornou depois que uma pessoa que teria presenciado a situação seguiu o veículo. Como o carro estava danificado e não conseguia trafegar normalmente, o estudante retornou a pé ao local do acidente.
Rodolfo recebeu atendimento do Corpo de Bombeiros e da equipe médica do Samu. Em razão da gravidade dos ferimentos, o motoboy precisou ser intubado ainda no local e, após ser estabilizado, foi encaminhado para a Santa Casa de Maringá. O estado de saúde é considerado crítico.
Durante o atendimento da ocorrência, Victor Hugo recusou-se a realizar o teste do etilômetro. Segundo o relato dos policiais militares responsáveis pela abordagem, o motorista apresentava sinais de alteração da capacidade psicomotora, entre eles hálito etílico e fala enrolada.
Diante da situação, ele foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil de Maringá e autuado em flagrante, em tese, por lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, com agravante relacionado à omissão de socorro.
A decisão que concedeu a liberdade provisória foi assinada por uma juíza, da Central de Audiência de Custódia de Maringá. A magistrada considerou legal a prisão em flagrante, mas entendeu que, neste momento, não estavam presentes elementos suficientes para justificar a manutenção da prisão.
Entre os pontos considerados na decisão estão o fato de o motorista ser primário e possuir bons antecedentes, conforme certidão analisada no processo, além da ausência de pedido expresso da autoridade policial ou do Ministério Público pela decretação da prisão preventiva.
Inicialmente, o Ministério Público havia sugerido fiança no valor de R$ 2 mil. A magistrada, entretanto, estabeleceu o valor em R$ 15 mil, levando em consideração a condição econômica informada pelo próprio motorista durante o interrogatório.
Após o pagamento da fiança e a expedição do alvará de soltura, Victor Hugo deixou a carceragem no início da noite. O estudante, que cursa o sexto ano de medicina, deverá cumprir as medidas cautelares determinadas pela Justiça.
A concessão da liberdade provisória não representa absolvição. O caso continuará sendo apurado e o processo seguirá tramitando na Justiça. Familiares de Rodolfo Rodrigo Notário demonstraram revolta com a decisão que colocou o motorista em liberdade.