A dor da perda foi maior do que a possibilidade de permanecer na cidade onde construiu a própria história. Sem conseguir conviver diariamente com as lembranças do filho e ainda aguardando uma resposta da Justiça, a moradora Roberta Ávila Lopes decidiu deixar Maringá após a morte do filho.
O jovem Gabriel Ávila Lopes, de 22 anos, foi vítima de um grave acidente de motocicleta registrado no último dia 3 de junho, na Avenida Alexandre Rasgulaeff, no Jardim Real. Gabriel pilotava uma moto quando houve a colisão com um Honda City.
De acordo com as informações apuradas, o automóvel teria provocado o acidente ao entrar na via, atingindo o motociclista. O impacto foi extremamente violento e o jovem morreu ainda no local, apesar do atendimento prestado pelas equipes de socorro.
Desde a tragédia, familiares e amigos realizaram uma manifestação em frente à Catedral de Maringá para pedir justiça. O protesto reuniu pessoas com cartazes e mensagens cobrando responsabilização pelo acidente e maior rigor na apuração dos fatos.
Até o momento, o motorista do Honda City ainda não prestou depoimento à Delegacia de Trânsito. Segundo informações, o advogado do condutor entrou em contato com um policial civil demonstrando interesse em apresentar o cliente.
No entanto, o delegado responsável solicitou que a apresentação ocorresse apenas após a conclusão de outras diligências e oitivas necessárias para finalizar o inquérito. Enquanto a investigação segue em andamento, a vida da família mudou completamente.
Roberta, que vivia com a mãe e os dois filhos, viu sua rotina ser destruída pela tragédia. Incapaz de suportar a lembrança constante do filho. tomou uma das decisões mais difíceis de sua vida: arrumou os móveis, deixou a casa onde morava e foi embora de Maringá para recomeçar em outro estado.
Antes da despedida, a mãe fez um último gesto carregado de emoção. Ela instalou uma placa no canteiro central da avenida exatamente no ponto onde Gabriel perdeu a vida. Na placa, além da fotografia do jovem, uma pergunta que resume a dor de quem perdeu um filho e espera por justiça:
"E se fosse o seu filho?"
A mensagem permanece no local como um pedido silencioso para que a morte de Gabriel não seja esquecida e para que a busca por justiça continue viva. Enquanto a placa segue exposta na avenida, a família tenta reconstruir a própria vida longe de Maringá.