Na noite de sábado, 16, um grave acidente terminou com a morte de um motoboy no cruzamento das ruas Felipe Camarão e Martim Afonso, na Zona 2. O motorista de uma caminhonete Chevrolet S10, identificado como Márcio Fantin, invadiu a preferencial e atingido violentamente a motocicleta.
O entregador morreu ainda no local, antes da chegada das equipes de socorro. Após a colisão, o motorista deixou a cena do acidente sem prestar atendimento à vítima. Segundo relatos, motociclistas seguiram a caminhonete até uma residência e repassaram o endereço à Polícia Militar.
Pouco tempo depois, equipes do 4º Batalhão foram até o imóvel para tentar localizar o condutor. Ainda conforme as informações, o próprio motorista ligou para o telefone 190 informando que havia se envolvido no acidente.
Ele alegou que deixou o local por medo de sofrer agressões ou até mesmo linchado por outros motoboys que estavam revoltados com a situação. No imóvel, o Aspirante Heron Alves fez contato por interfone e foi atendido pela esposa do motorista, que confirmou que o marido havia se envolvido no acidente.
No entanto, ela informou que o homem não sairia para conversar com a equipe policial e que pretendia se apresentar posteriormente à delegacia. O caso gerou questionamentos porque, em situações de acidente com resultado de morte e fuga do local, a legislação prevê situação de flagrante delito.
Autoridade policial possui autorização para adentrar na residência para efetuar a prisão do suspeito, mesmo sem mandado judicial. Após consultas entre um oficial do 4º Batalhão e alguém superior as equipes policiais decidiram deixar o local sem realizar a detenção do motorista.
O oficial CPU (Coordenador de Policiamento de Unidade) ordenou que os policiais deslocassem ao 4º Batalhão para a lavratura de um boletim de ocorrência. O Aspirante Heron relatou em seu depoimento que também solicitou que policiais do Serviço de Inteligência (P2) ficassem nas imediações da casa.
Os motoboys que estavam na frente da casa de forma ordeira ficaram revoltados com a saída dos policiais. Um dos motoboys então juntou algumas pedras e atingiu a casa do motorista. Um segundo motoboy conseguiu invadir a garagem do imóvel e atingiu o veículo com pedras.
Marcio Fantin, foi até a janela de sua casa e começou a atirar com sua pistola calibre 9mm. Na rua estavam profissionais da imprensa realizando a cobertura da ocorrência. O veículo de reportagem da Rede Massa foi atingido por um dos disparos.
Um dos repórteres que estava no local chegou a ligar para o 190 da PM informando sobre os disparos, bem como um dos vizinhos do motorista. Viaturas deslocaram com brevidade e lá conseguiram dispersar os motoboys e realizar a detenção do motorista da caminhonete.
A decisão da Polícia Militar de deixar o local sem realizar a prisão do motorista gerou revolta entre os motoboys que acompanhavam a ocorrência. Muitos questionaram a postura adotada pela corporação, alegando que, em outras situações envolvendo suspeitos em fuga ou criminosos escondidos em residências, a abordagem policial costuma ser diferente.
Alguns motoboys relataram à reportagem que, se o caso envolvesse um traficante, assaltante ou qualquer outra pessoa suspeita de cometer um crime e fugir da polícia, possivelmente a residência teria sido cercada e a prisão efetuada ainda durante o flagrante.
A situação provocou uma série de críticas e debates nas redes sociais, principalmente pelo fato de a polícia já ter identificado o motorista e saber exatamente onde ele estava escondido. A revolta aumentou porque a vítima morreu e o condutor da caminhonete deixou a cena sem prestar socorro à vítima.
Moradores da Zona 2 — um dos bairros mais tradicionais de Maringá — também demonstraram indignação com a decisão da Polícia Militar de deixar o local sem efetuar a prisão do motorista da caminhonete.
Uma moradora procurou a reportagem e relatou que chegou a entrar em contato com a Polícia Militar após a saída das equipes. Segundo ela, foi informada de que a situação, a partir daquele momento, seria de responsabilidade da Polícia Civil e que a PM não poderia mais tomar providências no caso.